Poderia uma câimbra te custar um milhão de dólares? Se você perguntasse ao velocista Michael Johnson a resposta seria sim.
Nas olimpíadas, o título de “Homem mais rápido do mundo” tradicionalmente vai para quem consegue ganhar medalha de ouro nos 100 metros masculino, quebrando ou não o recorde mundial na competição. Em 1996 o campeão daquele evento foi o Candense Donovam Bailey, que não apenas ganhou, mas apagou qualquer dúvida quebrando o recorde mundial na final com 9.94 segundos. Bem, nem todas as dúvidas.
Nos mesmos jogos, Michael Johnson ganhou a medalha de ouro nos 200 metros e estabeleceu o recorde mundial de 19.32. Na transmissão da NBC, Bob Costas calculou as parciais dos 200 metros de Johnson e explicou a audiência que 9.66 era mais rápido do que 9.84 – querendo dizer que Johnson e não Bailey deveria ser considerado o homem mais rápido do mundo. No entanto, essa ideia não procede, pois o segundo 100 metros da prova de 200 metros é considerado como uma saída em movimento; e de fato, quando Bailey liderou o time de revezamento 4x100 eles ganharam o ouro e seu tempo foi de 8.95.
Ao invés de tentar resolver o debate fazendo Donovan correr os 200 metros ou Johnson os 100, os promotores montaram um evento hibrido de 150 metros. O evento aconteceu em Toronto em 31 de Maio de 1997 e a cada competidor foi prometido a quantia de $500,000 dólares, com um adicional de 1 milhão para o campeão. Na saída da curva, Bailey estava claramente a frente, o que era um choque porque Johnson era considerado o melhor corredor de curva da história, mas Johnson desistiu por causa de uma aparente câimbra. Aquele não foi a único incidente de câimbra frustrante para Johnson, porque ele também desistiu nas finais das eliminatórias das Olimpidas de 2000, perdendo a chance de outra medalha de ouro naquele evento.
Câimbras durante os eventos de sprint são obviamente as situações mais dramáticas, mas as câimbras podem afetar qualquer atleta em qualquer evento. O problema é que, uma vez que a câimbra ocorre, mesmo se o tratamento (tal como medicações, massagem e alongamentos) for imediatamente aplicado, é muito difícil de retonar ao jogo – às vezes as dores podem durar por horas. Ao menos que se esteja jogando em um campeonato ou evento, teria sentido se arriscar a uma lesão mais grave tentado suportar a dor. Ao invés é melhor se focar nas maneiras de se prevenir as câimbras antes que isso estrague seu dia – ou te custe um milhão.
Para essa discussão vamos definir a câimbra como um encurtamento involuntário das fibras musculares esqueléticas. A contração pode ser prolongada e acompanhada por espasmos doloridos. Interessantemente, as câimbras podem ocorrer não apenas durante o exercício, mas muitas horas após seu termino. Durante uma entrevista para imprensa, depois do US Open de 2011, Rafael Nadal sofreu uma câimbra tão forte que ele escorreu fora da cadeira e desapareceu sob a mesa – um acontecimento que a companheira de profissão Caroline Wozniack imitou durante sua entrevista para imprensa.
A Solução para as Câimbras
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As câimbras têm essencialmente duas causas:
1. Sobrecarga muscular excessiva
Quando a demanda muscular é maior do que o a do nível muscular que está sendo exercitado, há um grande risco para as câimbras. Por uma extensão lógica, a melhor maneira de prevenir câimbras é entrando em forma de maneira progressiva e inteligente. Claro, as pessoas devem se aquecer de maneira apropriada, tal como fazer os alongamentos dinâmicos e estímulos pliométricos de baixa intensidade e depois realizar uma volta à calma com alongamentos gerais. Eu sei que é um conselho muito generalista, mas o treino deve ser progressivo e relevante para aquilo que se está treinando.
2. Desidratação/desequilíbrio de eletrolítico
O conselho mais comum prevenir as câimbras é ter certeza de se está bem hidratado. E é necessário que se vá treinar ou competir já hidratado – e não tentar recuperar bebendo muita água durante a atividade. Na verdade, para corredores de distância, a maior vantagem da “sobrecarga de glicogênio” é que isso ajuda a reter água.
Devemos considerar também o papel dos eletrólitos na prevenção das câimbras. Eletrólitos são substancias químicas que quando dissolvidas na água se transformam em íons: íons são moléculas envolvidas na condução dos impulsos elétricos através do corpo. Se há uma deficiência de eletrólitos os músculos não estarão aptos a contrair apropriadamente. Se você bebe apenas água, os eletrólitos em seus tecidos ficam diluídos. Para restaurar o balanço eletrolítico em seu corpo os rins precisa excretar a água corporal carregando os eletrólitos junto.
Com relação a algumas bebidas esportivas populares, considere que a água entra na célula através de um processo chamado de osmose. Bebidas esportivas geralmente tem uma concentração tão alta de sódio (para melhorar o sabor) que a água não consegue entrar na célula – então você fica hidratado e desidratado ao mesmo tempo! Uma das melhores fontes de eletrólitos é a água de coco; outra opção seria adicionar um repositor eletrolítico em sua água.
Em um estudo publicado em Abril de 2005 no Journal of Athletic Training, 13 sujeitos do sexo masculino em idade colegial com histórico de câimbras associadas ao exercício físico (CAEF) no gastrocnêmio participaram de um experimento para determinar a eficácia dos eletrólitos na prevenção de câimbras no local. Os autores concluíram que “O consumo de uma bebida compostas de carboidratos e eletrólitos antes e durante o exercício em um ambiente quente pode atrasar a aparecimento de CAEF e assim permitindo aos participantes se exercitarem por período mais longo” Os autores notaram que 69 por cento dos sujeitos ainda tiveram câimbras provenientes de seus protocolos de treino, sugerindo que outros fatores, especialmente o condicionamento físico, são necessários para lidar com as câimbras.
Outra causa de câimbras pode ser a deficiência de magnésio, um mineral envolvido na contração muscular. A literatura sugere que entre 54 a 75 por cento da população americana em geral é deficiente em Magnésio; na França, um estudo realizado na metade dos anos 90 observou que 72 por cento dos homens e 77 por cento das mulheres eram deficientes desse mineral.
A deficiência de magnésio é mais comum entre os atletas; uma razão é que o treinamento resistido aumenta a necessidade de magnésio. De fato, durante os últimos 12 anos nenhum dos alunos iniciantes com os quais trabalhei apresentavam níveis aceitáveis de magnésio. O comprometimento na absorção e utilização de magnésio geralmente interfere na obtenção de níveis adequados.
Ao longo dos anos, acumulei muitas pesquisas e experiências sobre restauração dos níveis de magnésio e acredito ser melhor usar uma combinação de quatro diferentes complexos de magnésio: magnésio taurato, magnésio glicinado, magnésio fumarato e magnésio orotato. Adicionar vitamina E e D3 irá ajudará também a restaurar os níveis de magnésio.
Potássio assim como o magnésio é um mineral de efeito alcalino e é está também associado com a prevenção de câimbras musculares. Todos os alimentos medicinais em pó usados na linha Poliquin com o propósito de aumentar a desintoxicação proporcionam uma dosagem extremamente alta de potássio citrato, que é altamente absorvível.
Michael Johnson será lembrado como um dos maiores velocistas de todos os tempos, mas seu legado poderia ter sido ainda maior se ele tivesse sido capaz de evitar a incidência de câimbras. Da mesma maneira não limite seu potencial atlético – tenha certeza de seguir esses passos e manter seus músculos trabalhando macios e fortes